segunda-feira, outubro 30, 2006

Viver é...

Que é a vida senão esta pequena diversão de tentar ser alguém?

domingo, outubro 29, 2006

A cidade de Górad

Quem avista de longe a cidade de Górad não se dá conta de estar bem mais próximo do que parece. Isso acontece porque a também conhecida como cidade da inconstância nunca de fato está, transmutando-se sempre na tentativa de ludibriar os forasteiros que caminham em sua direção e desistem ao perceber que ela não passa de uma grande miragem aos olhos.
Diz-se a lenda que, em tempos outros, górad recebia muitos senhores de fora e os hospedavam com louvor e pompa, até que um dia fora saqueada por homens que vinham portando boas novas. Desde então, para se proteger e a seus habitantes, a cidade passou a manter sempre a mesma distância entre quaisquer que fossem seus possíveis visitantes, parecendo assim, sempre pequena e longíqua, por mais que estivessem a menos de um palmo de seu alcance. Górad será sempre, para seus visitantes, como a lua em terra observada, que espreita-se em olhares, mas que jamais será tocada.

terça-feira, outubro 24, 2006

O Sorriso

E bonito se imprimia em face, branco como a minguante lua que rasgava o insípido firmamento, o sorriso de meu grande amigo...

segunda-feira, outubro 16, 2006

Está na hora de escrever, marcelo

-Está na hora de escrever, marcelo!

Você já pôs sua roupa, tomou seu banho e a cabeça está fria e indulta, livre de qualquer pensamento estressante do dia. Está na hora de escrever, marcelo - é a frase que circunda e repete incessante em seus espirais devaneios. A barriga está cheia e não se poderá acusar a fome de qualquer displicência. Você senta e prepara o terreno pra colheita: mas a frase se recusa. Está presa, estancada nalguma parte de si que não impele movimento. Que dia! Que vida! Que outrora! Antes fosse ontem essa madrugada; a fazer chuva de doer ouvidos os pingos metralhados no basculante. O lado de fora é oco. Como venho condensando matéria dentro de mim! E faço de tudo um enxerto pessoal; o vazio de fora grita:

- está na hora de escrever, marcelo!

Que recusa! Que drama! Que fiasco! Pra que tanta resistência, meu deus!? Antes fosse tão fácil assim negar os instintos e o que fala de fora pra dentro. É um pedido, sem dúvida. Um clamor, com o perdão que a boa palavra já não aceita. Ah sentimentos hindus e completezas harmônicas!
Que valerão de mim tais corroborações? Eis que aqui vos dou, indolente como um parto cesariano, o texto pelo qual imploram e basta nisso tudo que sinto!

domingo, outubro 15, 2006

Inspiração Intermitentes

Como fazer a inspiração [ou o algo que a exorta] jorrar de forma a de longe estancar a hemorragia?

sábado, outubro 14, 2006

Procura

Busco eternamente uma razão que me faça triste.

segunda-feira, outubro 09, 2006

Eu e Carol

Porque uma imagem vale mais do que mil palavras mirabolantes

terça-feira, outubro 03, 2006

Crise de Identidade [ou Descoberta]

Passei corrido pelas escadarias do meu prédio e, enquanto esperava o elevador, observava meu rosto no espelho. Aquele que ali estava claramente não era eu: olhos fundos, cabelo feio, corpo magro, branquelo... como se esperasse o indulto de alguma alma penada a comiserar por mim meus todos pecados. De certo que os tempos são outros: trabalho, estudo, quase não vivo de fato, mas o que não recordava era dessa imagem feia de mim, como se o âmago exteriorizasse meu verdadeiro sentimento acerca das coisas pelas quais venho passando; afinal, dizem que o corpo reverbera a alma e assim somos desde que nos entendemos por gente. O elevador agora chegou e ainda não consigo descravar de mim os olhos; como Narciso ao avesso, jogo-me ao espelho a dar com as mãos em face, tentando retirar o disfarce. Pareço um ser envelhecido e fosco...ligo a luz e não reflito sequer um fóton. Eu praticamente não brilho pra mim o que costumava. Apago a luz e abro a porta do elevador me sentindo ignóbil e sem expressão, como se a tivessem roubado de mim quando aceitei a proposta de enfrentar este mundo com a cara lavada e o pouco de dinheiro no bolso. Este não sou eu! Definitivamente. Mas como vou saber quem sou sem experimentar tudo aquilo que não sou?